Uma reflexão sobre o chamado dos Tradutores
Intérpretes de Libras das Igrejas Evangélicas no Brasil
Vânia
Rocha
Líder
do Dep. Surdos ADVEC
TILSP Vocacionada
“E disse-lhes Jesus: Ide por todo o mundo, pregai
o evangelho a toda criatura.” Marcos 16.15
Estamos
vivendo dias muito difíceis em que o inimigo tem jogado pesado para conseguir
almas para o seu “reino”. As novas estratégias são em usar instituições que
antes se quer recebiam surdos, mas que de um tempo para cá vem atraindo-os
através de valorização da língua e cultura nesses espaços.
Ora,
eles estão fazendo o papel deles e é aí que eu me pergunto: O que estamos
fazendo?
As
igrejas evangélicas têm construído uma história forte nessa área ao longo do
tempo, não é à toa que grande parte dos Tradutores Intérpretes de Libras (TILSP)
emergem a partir desses espaços, pois através do despontamento dos surdos na
sociedade devido suas lutas e militâncias, os intérpretes em paralelo, vão construindo
sua história de afirmação e reconhecimento do seu ofício para atender cada vez
melhor a população surda. No que tange as Igrejas Evangélicas, essa busca nos
têm levado a nos depararmos com duas situações distintas: capacitar-se a tal ponto
que a Igreja, lugar de onde saíram, fica em segundo plano, ou porque não dizer
em plano nenhum recebendo o que sobra de seus tempos, ou o completo abando; ou
de ainda ficarem nas igrejas, mas com um aprendizado superficial, muitos por
falta de oportunidade, até porque não são da área, causando-lhes sentimentos de
incapacidade, ou ainda que tenham um bom desempenho como TILSP, não se sentem
como tal; ou aquele outro grupo, que mesmo profissionais da área ou não, mas
que realmente não podem estar por um motivo ou outro, totalmente justificável,
mas cujos corações queimam pela obra do Senhor na Igreja.
Logo,
o que vemos é:
- · Crentes ou ex-crentes, altamente capacitados, mas que infelizmente colocaram a sua busca por interesses pessoais acima do seu Chamado, levando-os a não terem mais tempo de dedicarem-se a obra do Senhor como no Primeiro Amor, fazendo com que muitos largarem tudo de uma vez; outro fator aqui é o CONHECIMENTO: Ora como me sujeitar a um Líder de Departamento que sabe sobre surdez menos do que eu? Esse pastor não sabe nada sobre o assunto e não permite que nós façamos os trabalhos como devem ser no ministério! Eu não vou me sujeitar a isso, fui... (Essas são algumas conjecturas dos pensamentos daqueles que conseguem galgar patamares profissionais mais elevados.)
- · Crentes fiéis que têm amor à obra, mas se sentem tão inaptos que acabam se subjugando esquecendo-se que nesse negócio contamos com a ação do Espírito Santo, pois sem Ele não há capacitação que dê conta do trabalho ministerial. Esses grupos de voluntários são, por vezes, discriminados causando-lhes ainda mais baixa estima. Mas são eles, em sua maioria, que estão presentes em quase todas as atividades do ministério, com simplicidade e humildade de coração.
- · Crentes profissionais na área da surdez, cujo coração arde pela obra e tentam de todas as formas aplicar seus conhecimentos para fazer com excelência aquilo que o Senhor os confiou. Infelizmente essa classe não tem sido muito expressiva, são poucos os que retornam para desempenhar essa tarefa. Lembro-me da passagem que Jesus curou 10 leprosos, apenas um voltou.
O
que eu quero ressaltar pontuando esses grupos é muito simples de entender, uma
coisa não está dissociada da outra. É preciso buscar capacitação, independente
da profissão que escolhera na sua vida particular. Se o Senhor te chamou para a
obra ministerial com surdos, CAPACITE-SE! Faça o seu melhor, busque
conhecimento para servir com excelência ao nosso Deus. Se o caminho foi de
profissionalizar-se na área da surdez: intérprete, professor de surdo, entre
outros, em nome de Jesus devolva seus talentos para a obra! Não meçam esforços
para fazer acontece! Não mitiguem seus tempos em favor de si mesmos! Busquem o
Reino em primeiro lugar, coloque as coisas do Reino como primazia e o Senhor
encarregará de suprir todas as outras coisas! E em qualquer dos casos não se
pode esquecer que a busca pelo Espírito Santo é primordial para a caminhada,
pois ele quem dá a direção, o discernimento espiritual, o alento e consolação em
dias difíceis e que intercede por nós diante do Pai (Rm8.26) Se Ele chamou, Ele
garante!
Então,
por que as Igrejas Evangélicas não são uma potência, no real sentido da
palavra, no que tange transformação da vida dos surdos, até mesmo dos TILSP, mesmo
sendo ela uma referência nos trabalhos? Respondo: por ainda discutimos
problemas ministeriais que se perpetuam ao longo da caminhada! Sempre que
encontro com lideranças, ou membros de ministério com surdos os assuntos são os
mesmos! Tudo bem, já sabemos que eles existem, e sempre existirão, mas o que
temos feito para minimizar? Veja o que Jesus disse:
“E dizia-lhes: Na verdade, a seara é
grande, mas os trabalhadores são poucos,..” Lucas 10.2
São poucos os trabalhadores? Em se tratando
de Reino, sim. Mas também percebo que uma quantidade significativa largou o
arado, olharam para trás (Lucas 9.62) e foi em busca dos aplausos desse mundo. Os
nomes renomados, intelectualmente falando, na área da surdez são cristãos
evangélicos (ASSIS SILVA, 2012). É assustador descobrir isso, pois ninguém
fala, são como cristãos secretos, descumprindo o seu chamado. Sentem vergonha?
Ou medo de sofrerem retaliação por defender uma causa diferente da Academia? Ainda,
outros que estão com a mão no arado, mas que têm sido negligentes com a obra. Vão
à Igreja para cumprir tabela de interpretação, isso quando não faltam sem avisar;
outros comparecem porque alguém convocou e ainda têm aqueles que aparecem
quando querem e são críticos aos trabalhos feitos.
Jesus certa vez disse:
“Se alguém deseja seguir-me e ama a seu pai, sua mãe, sua esposa, seus
filhos, seus irmãos e irmãs, e até mesmo a sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu
discípulo. João 5:23
Faço uma inferência nesse texto: Se alguém ama
mais a língua do que o indivíduo da língua, não pode ser discípulo de Cristo. É
impossível fazer a obra de Deus sem amar ao próximo como a ti mesmo (Marcos 12.31),
pois as atitudes serão como as descritas acima. Se não estiver disposto a negar
a si mesmo, como Cristo negou sua vida gloriosa para morrer por nós, nada vai
acontecer. O que receber terá tempo de início de fim, mas se a recompensa vier
dos céus será para glória Dele e por isso não terá fim.
Outro fator importante a ser considerado é a
falta de Unidade. Sem ela não há possibilidade de conquistas: CHAMADO VOCAÇÃO
MISSÃO PROPÓSITO, andam juntos, como se fosse uma receita de bolo, se faltar um
item desanda toda a massa. Jesus é o nosso modelo para vivermos nesse mundo, perceba
como é interessante o ensinamento dEle sobre esse assunto:
“Eu e o Pai somos
um.” Lucas 10.30
“Eu Sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em
mim, e Eu nele, esse dará muito fruto; pois
sem mim não podeis realizar obra alguma.” João 15.5
“Pai santo, protege-os em Teu Nome, o Nome que me deste,
para que sejam um, assim como somos um.” João
17.11
Minha reflexão sobre esse assunto que muita me
inquieta, me faz entender a urgência das Igrejas Evangélicas do Brasil unirem
em favor dessa causa, e é indispensável que nós, como TILSP Vocacionados, tomarmos
essa responsabilidade como Missão e Propósito.
Uma Bíblia em Libras precisa ser disponibilizada para a comunidade surda
brasileira urgentemente e só com unidade poderemos fazer com que isso aconteça.
É necessário voltar ao Primeiro Amor com toda
força do nosso ser, arregaçar as mangas e trabalhar de sol a sol para povoar o
céu custe o que custar. Deus chama povos, nações e línguas... Ele chama você e
eu para cumprirmos o Seu IDE.
Você pode dizer comigo:
#EuVouEmLínguaDeSinais
Que assim seja comigo e contigo, meu irmão e
irmã #TILSPVOCACIONADO.
Referências bibliográficas:
ASSIS SILVA, César Augusto de. Cultura Surda:
agentes religiosos e a construção de uma identidade, São Paulo: Terceiro Nome,
2012.
Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João
Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida, 4ª Edição 2009, Barueri/SP: Sociedade
Bíblica do Brasil

Linda reflexão Vânia! Realmente é o que temos visto por ai infelizmente. Muitos que um dia estavam no altar do Senhor, saíram do altar, hj estão em cima de palcos, até mesmo nas telas das TVs, muito bem sucedidos por sinal mas que abandonaram o chamado, hj não se dedicam tanto quanto antes e tiveram que escolher entre servir ou ser servido...
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