Quem eu sou?
Sou aluna.
Mas acima de tudo SOU PROTESTANTE.
Se vocês conhecerem o que é a Reforma Protestante, que neste ano
completa 500 anos, vão entender do que estou falando.
Ou seja, protestar está no meu DNA.
Muitos se confundem com algumas questões, pois acreditam que por estamos numa igreja e fazermos trabalhos voluntários voltados para essa área seríamos idiotas, alienados e que temos que ver e ouvir as coisas e ficarmos calados, inertes, sem tomarmos ação alguma.
Muitos se confundem com algumas questões, pois acreditam que por estamos numa igreja e fazermos trabalhos voluntários voltados para essa área seríamos idiotas, alienados e que temos que ver e ouvir as coisas e ficarmos calados, inertes, sem tomarmos ação alguma.
Ledo engano.
Um texto que reproduz muito bem o povo protestante, e que eu
gosto muito, é:
Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui. (At 17.6).
Essa parte do livro de Atos mostra como os judeus estavam
preocupados com os cristãos que cresciam em número e em conhecimento da
Palavra, e antes mesmos de chegarem na cidade de Tessalônica já causavam um
tremendo “barulho”.
Jesus tem uma frase que me chama muito a atenção:
Não cuideis que vim trazer a paz à terra; NÃO VIM TRAZER PAZ, mas espada; (Mt 10.34)
Ou seja, Jesus trouxe as Boas Novas que chocou uma sociedade
inteira por viverem de acordo com Leis do Antigo Testamento muito duramente,
impostas pelas autoridades que na grande maioria das vezes não as cumpriam, mas
que servia de ferramenta para controlar o povo. Quando Jesus começa a falar de
amor ao invés de sacrifício, isso provocou várias discussões, por vezes
inflamadas entre Ele e os sacerdotes do Templo causando intensa indignação,
pois eles detinham o domínio, e com esse novo discurso as coisas estavam saindo
do controle de suas mãos.
Por diversas vezes não foi nada pacífico, mas com palavras duras
e autoridade falava das distorções morais dos profetas:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. (Mt 23:27,2)
É disso que Jesus quer dizer quando fala que não veio trazer a
paz, pois se posicionar contra um sistema estabelecido não é nada pacífico.
Veja o que estamos vivenciando hoje, de um lado grupos tentando enfiar-nos
goela a baixo ideologias descabíveis, de outro o combate ferrenho dos que não
apoiam essa ideia.
Também me lembro de Paulo quando diz o seguinte:
Se FOR POSSÍVEL, quanto depender de vós, tende paz com todos os
homens. (Rm 12.18)
Ou seja, SE POSSÍVEL tenha paz com todos, mas sabemos muito bem
que nem sempre vai-se conseguir, além do mais quando se trata de interesses tão
contrários.
Fui levada a escrever esse texto pois tenho sido afrontada, por
diversas vezes, dentro da minha faculdade, por ser cristã e estar a frente de
luta por direitos dos alunos do DESU Ines Desu, ou seja, por não aceitar tão
facilmente decisões arbitrárias, ou até mesmo a falta delas.
Frases do tipo:
"Ora, sendo vc seguidora de "um" Jesus, me admira estar fazendo isso.""Como vc acha que pode tirar uma nota máxima? Quer se comparar ao seu Deus, que vc acredita ser perfeito? Vc é perfeita igual a Ele?""Uma pessoa religiosa deveria promover a paz, e não a discórdia e confusão entre os alunos."Quer dizer que confrontar, perguntar, buscar os direitos, movimentar os alunos para que se tenha respostas é um acinte? Isso é papel do corpo do Centro Acadêmico como representante dos alunos, e cujas ações são autônomas em espaços acadêmicos.
Mas o que vejo, e muitos colegas compartilham dessa opinião, que
ainda há uma CULTURA de ENSINO MÉDIO no espaço do DESU. Só que isso está
mudando. Erros e acertos fazem parte desse processo. Ok, então vamos errar e
acertar!
Agora, USAR DA MINHA CRENÇA para tentar me desmoralizar, ou me
rebaixar, é algo de cunho totalmente DISCRIMINATÓRIO! E isso é inadmissível!!
Os mesmos que entram em sala de aula (NÃO SÃO A MAIORIA, GRAÇAS A DEUS!!!) para
falar de igualdade, liberdade, identidades, culturas, e assim por diante, têm
sido os mesmos que dizem que tem o "PODER DA CANETA", intimidando
alunos para fazer o que querem.
Poderia muito bem ter me embasado TEORICAMENTE no meu discurso,
mas como ESCOLHAS são SUBJETIVAS, eu decidi me apropriar daquilo que é a MINHA
PRÁTICA DE VIDA, até porquê ela tem sido atingida recorrentemente. Todo esse
tempo eu NUNCA atingi a crença de ninguém, nunca fui desrespeitosa com quem
quer que seja, talvez intensa na maneira de falar, sendo esse o meu jeito no
dia-a-dia. Aliás, intensidade me representa. Não faço nada pela metade, ou de
qualquer jeito. Ou é tudo, ou nada. Não existe meio termo para mim.
Espero que haja um entendimento que não estamos contra pessoas,
mas que queremos respostas, queremos ser respeitados, pois embora a faculdade
seja Pública, ela não é gratuita, como se fala, pagamos nossos impostos para
estar ali, passamos por uma avaliação que nos disse que temos capacidade de
ocupar aquele espaço.
Sim, satisfações do que é feito devem ser-nos dadas!
Sim, satisfações do que é feito devem ser-nos dadas!
Se há uma guerra política e de poder internamente entre
professores, coordenadores, diretores, seja lá quem for, sinceramente isso não
nos cabe, e sim buscar soluções para que a nossa formação e a nossa estada
nesse espaço seja proveitoso.
Por fim, eu entendo que buscar os direitos e entender o porquê
das coisas deveria ser algo natural, mas é a trancos e barrancos que nós alunos
do DESU/INES temos aprendido como as coisas acontecem, e de como podemos nos
mobilizar. E continuaremos trabalhando para isso. Embora esteja sendo um
desgaste muito grande, ao mesmo tempo tem sido proveitoso tanto pedagogicamente
como na nossa formação.
Vânia Rocha
Estudante de Pedagogia DESU/INES
8º Período - Manhã
Estudante de Pedagogia DESU/INES
8º Período - Manhã
